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desde 1979

Um blog pessoal sobre várias visões: comida, cinema, música, alguma cultura, política e o dia-a-dia.

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O Filho da Mãe

por Luís Veríssimo, em 14.09.15

Ele, o filho da mãe, aos berros: Odeio-te! Odeio-te!

Ela, a mãe do filho, secamente: Ainda bem...

Ele, ainda mais irritado: Não preciso de ti! Ouviste? Não preciso de ti!

Ela, a conter a humilhação: Ainda bem. Eu também não preciso de ti...

O filho, o mais velho, discutia com a mãe, alto e bom som. Assomei-me à janela da cozinha que dá para o logradouro, tal era o barulho que vinha dois andares abaixo. O pai estava quedo e calado. Os três estavam em casa, só os três. O outro filho do casal, o mais novo, é raro ver-se, mudou-se há pouco. Também deixei de ver a cadela, linda, elegante, dócil, pachorrenta sempre bem tratada e cheirosa, dá gosto fazer-lhe festas. Outros vizinhos dos prédios ao lado também se assomaram. Um deles virou-se para mim e disse: "Era melhor chamar a polícia.". Não  lhe dei resposta. É o mesmo vizinho que ouve alto e bom som sempre o mesmo concerto ao vivo do Tony Carreira, às vezes às 6h da manhã. A discussão continuava, sempre no mesmo tom: o filho da mãe que odeia a mãe e que nada dela precisa, a mãe que não se importa com isso e  que até é um favor que lhe faz... Este filho tem uma loja na rua, é pacato, mal se ouve, cumprimenta sempre, diz "bom dia" e "boa tarde" e sorri ligeiramente.

De repente lá se ouviu o pai: Parem com isso! Parem com isso os dois! Calem-se! - O filho da mãe ainda balbucia qualquer coisa, a mãe ainda responde, mas o pai volta à carga: Parem com isso, por favor! Parem com isso! - E eles pararam. Testemunhado há umas semanas atrás numa bela soalheira manhã de domingo em que só apecetia estar na praia. Nunca antes havia ouvido uma discussão daquela casa. O prédio até pacato de mais... Nos dias a seguir a esta discussão, o filho da mãe pouco se deixou ver, a loja esteve de férias essa semana. A vida de todos voltou à vida de todos os dias...

Desafio: Quando eu era gaiato... parte 2

por Luís Veríssimo, em 19.08.15

Parte 2 do desafio começado na passada segunda-feira.

"Que Sera, Sera (Whatever Will Be, Will Be)" por Doris Day e Christopher Olsen numa cena do filme "O Homem Que Sabia Demais" (1956, Alfred Hitchcock).

11. Quando eu era gaiato... a minha mãe adorava ver televisão (enquanto fazia tricô, croché ou malha) e nós (eu e o meu irmão) também, víamos religiosamente séries como "Missão Impossível" ou "Espaço 1999".

12. Quando eu era gaiato... era frequente escapar-me à noite da cama para a sala para ir ver os filmes que davam durante a madrugada. Uma vez vi o "Alien" (o primeiro), fui apanhado (ou pelo meu pai ou pela minha mãe), quando regressei à cama tive um pesadelo, mas adorei o filme, ainda hoje é um dos meus filmes de eleição.

13. Quando eu era gaiato... o gosto de ver imagens em movimento era tal, que até ia ao cinema sozinho, ainda hoje adoro cinema e séries, vejo de tudo um pouco, para mim não é só um entretenimento, é quase um objecto de estudo, e continuo a ir ao cinema sozinho... confesso, sou um viciado.

14. Quando eu era gaiato... para além de gostar de ver filmes e séries, adorava ler, sobretudo banda-desenhada do Tio Patinhas e afins.

15. Quando eu era gaiato... adorava brincar com legos e carros, divertia-me a fazer construções e a destruí-las.

16. Quando eu era gaiato... brincava muito na rua, sobretudo num terreno atrás do nosso prédio que tinha umas caves e catacumbas, onde um dia furei uma perna com um ferro (é uma das minha cicatrizes).

17. Quando eu era gaiato... era tão traquinas que quando íamos visitar o meu pai a alguma das obras onde estava a trabalhar tinham que andar sempre de olho em mim, pois às vezes desaparecia. Uma vez um besouro (ou abelha ou moscardo) entrou-me pelo ouvido dentro, tiveram que o tirar depois de o afogarem em azeite, foi uma das minhas piores vivências.

18. Quando eu era gaiato... ia-me afogando, estou a exagerar, mas foi o que senti. Em pleno Inverno, numa travessia do Guadiana, estávamos nós os 4, mais umas pessoas e um tio meu, e ao sairmos do barco eu e o meu tio ficámos para o fim, ele estava atrás de mim e eu ia a sair quando escorreguei da borda e as três coisas que senti foram: um frio tremendo até à cintura, uma dor lacerante na parte da frente do pescoço e um sofoco imenso, tendo deixado de respirar (o meu tio conseguiu ter reação suficiente para me agarrar pela parte de trás da roupa).

19. Quando eu era gaiato... tive outras experiências, digamos que traumáticas, como por exemplo a morte da minha mãe, eu tinha 12 e o meu irmão 14.

20. Quando eu era gaiato... a morte da minha mãe veio quebrar a redoma onde eu e o meu irmão vivíamos e tornou-se o acontecimento que nos moldou e nos transformou. O que vivemos foi muito dramático.

8 de Março - Dia Internacional da Mulher

por Luís Veríssimo, em 08.03.15

Hoje comemorou-se mais um Dia Internacional da Mulher. A todas as mulheres o meu muito obrigo, sobretudo à minha mãe que me pôs no mundo.  Aqui fica para vos agradecer uma estonteante versão de "See Line Woman" na maravilhosa voz de Nina Simone:

 

 

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