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desde 1979

Um blog pessoal sobre várias visões: comida, cinema, música, alguma cultura, política e o dia-a-dia.

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Um blog pessoal sobre várias visões: comida, cinema, música, alguma cultura, política e o dia-a-dia.

Cinema | Crítica | "Cavaleiro de Copas" (2015)

por Luís Veríssimo, em 03.03.16

Atenção, adoro Terrence Malick, já nos deu algumas obras primas. Mas, este "Cavaleiro de Copas" é mais uma versão do seu maravilhoso "A Árvore da Vida" (2011).

Sinopse: Um argumentista, Rick (Christian Bale) cede à tentação de tudo o que Los Angeles e Las Vegas têm para oferecer, empreendendo uma busca pelo amor e de si próprio através de uma série de aventuras amorosas com seis mulheres diferentes (Cate Blanchett, Natalie Portman, entre outras).

 

O texto que se segue não contém spoilers.

 

A "Árvore da Vida" é daqueles filmes que nos preenchem por completo, dão-nos vida. Aconteceu-me isso na altura em que o vi, mas já me aconteceu com outros filmes ao longo da vida. Apesar de eu ser muito exigente comigo e com os outros, não peço que tudo o que façam seja assim, mas que seja minimamente decente.

O realizador americano Terrence Malick é um poeta, um filosofo, que através de imagens e de uma realização extremamente inovadora já nos deu filmes como "Noivos Sangrentos" (1973), "Dias do Paraíso" (1978), "A Barreira Invisível" (1998) e o já referido "A Árvore da Vida".

Não sei o que se passou com esta película. A realização, que continua a ser fora da caixa, não nos deixa acompanhar a história. Os seus já característicos planos não acrescentam nada à história. A historia, não é linear (nem tem que ser), é uma amalgama de distúrbios e cheia de ruído. A fotografia essa continua irrepreensível, mas essa é da responsabilidade de Emmanuel Lubezki.

O que mais me chateou no "Cavaleiro de Copas" não é o facto de ser uma versão mal parida da sua obra prima de 2011. O que mais me aborreceu também não foi ver que este filme é uma réplica mal endrominada do seu filme anterior "A Essência do Amor" (2012). O que mais me tirou do sério foi verificar o vazio que existe em todo o filme. "Cavaleiro de Copas" é um vazio, um vazio confrangedor, cego, surdo e mudo. E chateia-me o facto de que provavelmente Malick queria filmar esse vazio, o vazio que existe naquele personagem protagonizado do Bale, mas que simplesmente não o conseguiu. E aborrece-me, mesmo muito, constatar que o seu próximo filme "Weightless" (2016), também com Christian Bale, Cate Blanchett, Natalie Portman e mais umas quantas estrelas de Hollywood, promete ser mais uma versão dos seus últimos filmes... e isso aborrece-me muito, mesmo muito.

1 estrela em 5.

 Filme visionado a convite da NOS Audiovisuais.

Cinema | Crítica | "Salve, César!" (2016)

por Luís Veríssimo, em 25.02.16

Será que alguém consegue salvar e/ou salvar-se deste "Salve, César" (2016) dos manos Coen? Aparentemente não!

Sinopse: Um fixer (um resolve) tudo, Edward Mannix (Josh Brolin), na Hollywood da década de 1950 esforça-se para manter as estrelas do estúdio para o qual trabalha na linha. Hollywood (EUA), década de 1950. O seu último grande desafio surge quando Baird Whitlock (George Clooney), actor principal da superprodução “Salve, César!”, é raptado a meio das filmagens. Gerir os egos de um sem-número de actores, realizadores, produtores e jornalistas, ao mesmo tempo que tenta encontrar o paradeiro da sua estrela desaparecida, não parece ser tarefa fácil para qualquer um...

O texto seguinte não contém spoilers.

Há uns anos uma amiga minha ao visitar a casa de um nosso amigo em comum, depois de lhe ser mostrada a casa, na sua maior ingenuidade, e sem estar a ser irónica, pergunta: "E o resto da casa?". Lembrei-me muito desta cena quando acabei de ver este "Salve, César!" de Ethan e Joel Coen. Mas onde é que está o resto do filme? O filme que foi prometido nos fabulosos trailers revelados? Onde está? Senti-me enganado, mesmo muito enganado.

Os irmãos Coen têm uma predilecção pela comédia, sobretudo pela comédia negra. Ficaram conhecidos do grande público quando em 1996 juntaram vários géneros e nos deram "Fargo", um thriller policial cómico apimentado com cinema noir. Desde então já somaram quatro Óscares, como realizadores, argumentistas, produtores e editores (montagem). Mas isto tudo não chega para se fazerem sempre bons filmes e também já tiveram a sua quota-parte de flops.

Não quer dizer que "Salve, César!" seja  um flop (ou o venha a ser) ou que seja um mau filme. Aliás a qualidade das imagens é irrepreensível. Mas espremendo bem a película, esta tem pouco sumo. Acontece muita coisa, mas tudo o que acontece está disperso e nem tudo liga no fim. Sinceramente é uma pena, pois, os manos Coen são também conhecidos por coser muito bem as suas histórias mirabolantes e tresloucadas.

Os irmãos quiseram fazer uma homenagem à época de ouro de Hollywood, quando esta começa a ser ameaçada pela televisão e o máscara dos grandes estúdios e das suas estrelas começa a ser inevitável e irreversivelmente visível. Esta sincera e honesta homenagem é soberba e é o melhor do filme. Mas não chega para salvar o filme.

E o que dizer dos actores? George Clooney, Ralph Fiennes, Jonah Hill, Scarlett Johansson, Frances McDormand e Channing Tatum passeiam-se, literalmente. Os únicos que escapam são Josh Brolin, Tilda Swinton e Alden Ehrenreich e mesmo assim... Mas, mais uma vez, não chega. E a culpa não é dos actores, mas sim do subaproveitamento dos seus talentos por parte dos realizadores, produtores, argumentistas e editores irmãos Ethan e Joel Coen... Como diz um velho ditado: muita parra e pouca uva. O que é mesmo uma pena, pois havia ali material para um filme decente, até quem sabe uma obra-prima...

2 estrelas em 5.

Filme visionado a convite da NOS Audiovisuais.

Cinema | Crítica | "Quarto" (2015)

por Luís Veríssimo, em 11.02.16

"Quarto" (2015) de Lenny Abrahamson é daquele tipo de filmes que não tem problema algum em prender o espectador num emaranhado de chorrilhos e maneirismos de puxar à lágrima de forma fácil e descarada.

 "Depois de Jack (Jacob Tremblay) completar cinco anos, ele e sua mãe, Joy (Brie Larson), escapam à clausura  a que têm sido mantidos. Cá fora, em liberdade, descobrem que a emocionante e empolgante realidade pode ser quase tão aterradora como a total ausência dela…"

O texto seguinte não contém spoilers.

Lenny Abrahamson é um realizador que gosta de filmar pessoas enclausuradas. Foi assim com os seus dois filmes anteriores, "O Que Fez Richard" (2012) e "Frank" (2014), e é assim com este "Quarto".

No filme de 2012 Abrahamson socorre-se do thriller à Hitchcock para nos oferecer um filme de jovens que se vêem presos às suas acções e respectivas consequências na passagem à idade adulta. Estranhamente o filme faz lembrar a tragédia que ocorreu no Meco em 2013. Já no filme de 2014, o realizador pega em Monty Python e tempera uma comédia tresloucada, enclausurando um brilhante Michael Fassbender num cabeçudo Frank. Foi aliás uma das melhores comédias desse ano.

Em "Quarto", baseado no livro homónimo de Emma Donoghue, que também assina o argumento, Abrahamson não só enclausura os dois protagonistas como não tem descaramento nenhum em encerrar os espectadores numa teia de emoções. O filme está cheio de maneirismos e clichés, não sendo forçosamente maus. Mas é certo e sabido que 80% das pessoas que virem o filme vão chorar. Não condeno as películas que recorram a clichés para contarem a história, contudo, há que saber usá-los. Por entre as nossas lágrimas, baba e ranho, é com essa sensação que se fica: um ligeiro amargo de boca por faltar garra ao filme e à sua realização. É daquele tipo de filmes que não tem problema algum em prender o espectador num emaranhado de chorrilhos e maneirismos de puxar à lágrima de forma fácil e descarada. E isso às vezes é irritante. Mesmo sendo um filme extremamente belo e poético.

Nomeado para 4 Óscares da Academia, Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Actriz e Melhor Argumento Adaptado. Ficou a faltar a nomeação ao jovem actor Jacob Tremblay, que algumas vezes está melhor que Brie Larson, sobretudo na segunda metade do filme. Curiosamente, Larson é a favorita a ganhar o Óscar para Melhor Actriz, o que provavelmente irá acontecer.

De salientar ainda que parte da história deste filme e do livro, que foi lançado em 2010, faz lembrar a história de Natascha Kampusch, que fugiu do seu cativeiro em 2006 após oito anos privada de liberdade.

3 estrelas em 5

 Filme visionado a convite da NOS Audiovisuais.

Cinema | 13 reflexões sobre Star Wars: O Despertar da Força (2015)

por Luís Veríssimo, em 04.01.16

E o último filme que vi em 2015 numa sala de cinema foi o "Star Wars: O Despertar da Força" (2015, J.J. Abrams). Aproveitei que o boy queria conhecer o IMAX do Colombo para lhe apresentar as "maravilhas" do 3D de última geração. Então lá fomos nós na noite de dia 30, já dia 31, numa quase esgotada sessão da 00h30.

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Três décadas após a vitória da Aliança Rebelde sobre o Império Galáctico, uma nova ameaça surge. A Primeira Ordem tenta governar a galáxia e só um grupo desorganizado de heróis pode detê-los, juntamente com a ajuda da Resistência.

Como o filme me deixou com mixed feelings resolvi escrever uma crítica diferente. Assim sendo, exponho, já de seguida, 13 reflexões, 6 positivas e 7 negativas, sobre a película. 

Cinema | Crítica | The Hunger Games: A Revolta - Parte 2 (2015)

por Luís Veríssimo, em 23.11.15

Não estou revoltado com este "The Hunger Games: A Revolta - Parte 2" (2015) de Francis Lawrence, estou antes sim desapontado e desiludido.

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"Enquanto a destruição e a guerra se alastra aos distritos de Panem, o Distrito 13 lidera uma rebelião organizada contra o Capitólio. Katniss Everdeen, a relutante líder da rebelião, vista como o símbolo de um povo que anseia pela liberdade, tenta reunir um exército contra o Presidente Snow, sabendo ser esta a última oportunidade de revolta contra o poder instituído."

O texto seguinte não contém spoilers.

Todas a29451e22eaaae136b46e8521bfb3bda28e1ba82b.jpgs adaptações de livros têm os seus problemas. Sobretudo, porque a visão do escritor e  a dos leitores não é a visão do realizador e dos argumentistas. E isso pode contribuir para alguma desilusão.

Posto isto, "The Hunger Games: A Revolta - Parte 2" tem outros problemas, bem mais graves. Falha no argumento, a realização é tarefeira, os planos e a montagem são banais, escapam algumas (poucas) cenas com efeitos especiais. Mais parece um episódio de uma série que um filme.

Sendo o último filme de uma saga muito amada por adolescentes e jovens adultos e que inspirou revoltas no mundo real, esta "revolta" parte 2 desilude. À primeira parte falta qualquer coisa, substância, garra e alguma chama que os dois primeiros filmes da saga tinham. A este falta tudo isto e vigor, paixão e vida que agarre o espectador. Ora num filme que se passa durante uma guerra vê-se pouquíssima acção. E num filme que se passa no meio do caos e da destruição vê-se pouco o que isso causa nas pessoas.

Realmente ninguém está preparado para este filme, é aborrecido e desinteressante, não cumpre a sua função, visto que para final de saga esperava-se mais. Nem nos vale a Nossa Senhora da Pipoca. Infelizmente.

1 estrela em 5

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