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desde 1979

Um blog pessoal sobre várias visões: comida, cinema, música, alguma cultura, política e o dia-a-dia.

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o tempo conquista-se

por Luís Veríssimo, em 11.09.16

Há 15 anos cairam em Nova Ioque as Torres Gémeas. O tempo é lato, tal como a vida. Foge-nos por entre os dedos

Ontem a Aurora fez 4 anos. Quando chegou, chegou pronta para conquistar o tempo. No dia anterior havia morrido o seu bisavô, o meu avô paterno. Uma vida partiu, outra chegou.

Infelizmente não tenho nenhuma foto do meu avô. Tenho um lenço, um daqueles que ele usava sempre no bolso. Está tão velho. Costumo tê-lo na gaveta da roupa interior. Levei-o ao casamento da prima, também sua neta. Não disse a ninguém. Ainda está no bolso do peito do casaco. Do avô gostava de ter uma das suas boinas. Poderia ser uma das roçadas. Não tenho nada deste avô, nem do meu avô materno, nem da avó materna. Não tenho nada da minha mãe, nem da minha madrinha. Todos eles já morreram. E deles só tenho memórias e uma dor inesgotável. 

Parabéns Mano!

por Luís Veríssimo, em 19.12.15

mano.jpgOntem o mano fez anos, 39. Parabéns mano!

Gosto muito do meu irmão, ele e o meu pai sempre foram modelos masculinos a seguir. Em miúdos eu gostava tanto do meu irmão que queria ser como ele. Ele não gostava nada, nunca gostou. Eu sempre o vi como uma espécie de herói. Nunca existi sem ele. Gostava tanto dele que eu queria ser como ele. Tanto é que me tronava amigo dos seus amigos apenas para estarmos juntos. Eu somente queria a sua aceitação. Ele detestava. Nem sempre nos dêmos bem, aliás eram frequentes as nossas brigas e zangas que deixavam a nossa mãe louca. 

Depois da morte da nossa mãe afastámo-nos, não só geograficamente como afectivamente. Houve até uma fase, já em adultos, em que mal nos víamos e falávamos... Infelizmente, quando precisou de mim eu não soube ser o irmão que ele precisava que fosse... Hoje estamos mais próximos e este ano procurei novamente a sua aceitação...

Parabéns mano!

O Filho da Mãe

por Luís Veríssimo, em 14.09.15

Ele, o filho da mãe, aos berros: Odeio-te! Odeio-te!

Ela, a mãe do filho, secamente: Ainda bem...

Ele, ainda mais irritado: Não preciso de ti! Ouviste? Não preciso de ti!

Ela, a conter a humilhação: Ainda bem. Eu também não preciso de ti...

O filho, o mais velho, discutia com a mãe, alto e bom som. Assomei-me à janela da cozinha que dá para o logradouro, tal era o barulho que vinha dois andares abaixo. O pai estava quedo e calado. Os três estavam em casa, só os três. O outro filho do casal, o mais novo, é raro ver-se, mudou-se há pouco. Também deixei de ver a cadela, linda, elegante, dócil, pachorrenta sempre bem tratada e cheirosa, dá gosto fazer-lhe festas. Outros vizinhos dos prédios ao lado também se assomaram. Um deles virou-se para mim e disse: "Era melhor chamar a polícia.". Não  lhe dei resposta. É o mesmo vizinho que ouve alto e bom som sempre o mesmo concerto ao vivo do Tony Carreira, às vezes às 6h da manhã. A discussão continuava, sempre no mesmo tom: o filho da mãe que odeia a mãe e que nada dela precisa, a mãe que não se importa com isso e  que até é um favor que lhe faz... Este filho tem uma loja na rua, é pacato, mal se ouve, cumprimenta sempre, diz "bom dia" e "boa tarde" e sorri ligeiramente.

De repente lá se ouviu o pai: Parem com isso! Parem com isso os dois! Calem-se! - O filho da mãe ainda balbucia qualquer coisa, a mãe ainda responde, mas o pai volta à carga: Parem com isso, por favor! Parem com isso! - E eles pararam. Testemunhado há umas semanas atrás numa bela soalheira manhã de domingo em que só apecetia estar na praia. Nunca antes havia ouvido uma discussão daquela casa. O prédio até pacato de mais... Nos dias a seguir a esta discussão, o filho da mãe pouco se deixou ver, a loja esteve de férias essa semana. A vida de todos voltou à vida de todos os dias...

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