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desde 1979

Um blog pessoal sobre várias visões: comida, cinema, música, alguma cultura, política e o dia-a-dia.

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Colóquio de Tudo Vai Melhorar

por Luís Veríssimo, em 29.11.15

tudo vai melhorar.jpg 

Fez ontem uma semana que, em representação do dezanove.pt, participei no colóquio "A influência dos media, do bullying e da discriminação na vida de jovens LGBTI Passado, Presente e Futuro" da Tudo Vai Melhorar. Na foto, eu, o primeiro à esquerda, de seguida Carlos Reis (comentador da RTP2), Luís Pinheiro (Tudo Vai Melhorar), Dwayne Cline (em representação da Embaixada dos EUA em Portugal), Bruno Horta (jornalista na Time Out) e Margarida Saco (Movimento Contra o Discurso de Ódio), que também participaram no colóquio.

 

 

«Tudo influencia e é influência em todos nós. E essa influência manifesta-se particularmente nas crianças, adolescentes e jovens. Essa mesma influência provém da educação que os jovens têm em casa, nas escolas, dos amigos, dos colegas e da sociedade.

 

»Nesse sentido o bullying é uma das piores influências que todos estes meios poderão ter na vida dos jovens. O fenómeno do bullying nas escolas tem vindo a assumir uma maior visibilidade. E fala-se de bullying quando uma criança, adolescente ou jovem está sistematicamente exposto a um conjunto de comportamentos agressivos, directos ou indirectos, protagonizados por um ou mais agressores, que ocorrem sem motivo aparente mas de forma intencional.

»Segundo diversos estudos a prevalência de bullying é significativamente maior entre jovens de minorias sexuais do que entre aqueles que se identificam como heterossexuais.

»Os jovens alunos, lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e intersexo (LGBTI), que são vítimas de bullying estão mais vulneráveis ao isolamento, à aquisição de comportamentos de risco e, a prazo, até mesmo a situações de exclusão social.

 

»Nos dias que correm, mais que noutros tempos, os media e as redes sociais também são um meio priveligiado de influêcia.

»O dezanove como meio de comunicação de pequena dimensão, consegue chegar a públicos alvo mais específicos, mesmo estes estando em meios também mais pequenos. Como se de um “amigo” virtual se tratasse e que está do outro lado do computador, do smartphone ou do tablet. Para alguns jovens é o único “amigo” que têm naquele momento. Muitas vezes apenas para desabafarem e relatarem casos de bullying homofóbico.

 

»Mas não chegam apenas ao dezanove casos de homofobia. A LGBTIfobia é uma realidade entre jovens.

»A LGBTIfobia é dominada pelo medo. Tanto de quem agride como de quem é agredido. Quem agride tem medo que possa fugir à norma que conhece e em que vive. Quem é agredido tem medo de eventualmente fugir à norma dos demais. Na maior parte das vezes a auto-estima de quem é vitima de LGBTIfobia, tanto de forma isolada como de forma prolongada, é abalada. E isso pode levar a que possa desenvolver comportamentos de risco: como o auto-isolamento, estados de depressão, tentativas de suicídio, consumo de substâncias, aumento de agressividade, mau aproveitamento e abandono escolar, desenvolvimento de distúrbios alimentares, etc.

»Sendo o dezanove um órgão de comunicação social dedicado às questões LGBTI, chegam-nos vários pedidos de ajuda ou queixas sobre casos de LGTBIfobia. Muitos dos casos, apesar da gravidade, não chegam a outros órgãos de comunicação social. As denúncias são na maioria efectuadas pelas próprias vítimas, mas também por pessoas que presenciaram casos de bullying. As queixas mais comuns envolvem bullying entre adolescentes, em diferentes contextos. Regra geral as vítimas pretendem expor a sua situação para evitar que outros casos se repitam.

 

»Eis dois exemplos de casos noticiados pelo dezanove:

»O caso foi noticiado após a vítima ter contactado o dezanove. A vítima tinha apenas dezasseis anos na altura, já havia mudado de escola 5 vezes e ao que constou foi agredido por colegas, fora do perímetro escolar. Nunca obtivemos uma resposta das autoridades aos repetidos e-mails que o dezanove enviou.

»Este caso foi averiguado pelo dezanove após denúncias nas redes sociais. Uma aluna transsexual da Escola António Arroio denuncia um alegado tratamento diferenciador por parte duma professora sua, não só a si própria como à frente dos colegas de turma.

»Em todos os casos o dezanove tenta averiguar o que, de facto, se passou e o caso é exposto em formato de artigo ou relato. Explicamos também que o dezanove é um órgão de comunicação social e não uma associação LGBTI ou autoridade policial, pelo que os contactos destes são igualmente facultados a quem a nós se dirige. No caso de ser publicado algum artigo relativo a algum caso de bullying é habitual mencionar-se em rodapé ou no Facebook os contactos das associações e autoridades.

»O dezanove dá conhecimento via mail sobre os casos a associações LGBTI. Salvaguarda dados sobre a identidade dos envolvidos até decisão legal de quem de direito. Usa a terminologia correcta, se é bullying homofóbico (lesbofóbico ou transfóbico) explicitar que o é aos leitores que possam não estar familiarizados com os termos. Não noticiar se se verificar incongruências nos discursos dos envolvidos ou, caso se publique, explicitá-los na notícia. É dada sempre uma resposta e com a maior celeridade às mensagens que chegam.»

 

 

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