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desde 1979

Um blog pessoal sobre várias visões: comida, cinema, música, alguma cultura, política e o dia-a-dia.

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Cinema | Crítica | "Quarto" (2015)

por Luís Veríssimo, em 11.02.16

"Quarto" (2015) de Lenny Abrahamson é daquele tipo de filmes que não tem problema algum em prender o espectador num emaranhado de chorrilhos e maneirismos de puxar à lágrima de forma fácil e descarada.

 "Depois de Jack (Jacob Tremblay) completar cinco anos, ele e sua mãe, Joy (Brie Larson), escapam à clausura  a que têm sido mantidos. Cá fora, em liberdade, descobrem que a emocionante e empolgante realidade pode ser quase tão aterradora como a total ausência dela…"

O texto seguinte não contém spoilers.

Lenny Abrahamson é um realizador que gosta de filmar pessoas enclausuradas. Foi assim com os seus dois filmes anteriores, "O Que Fez Richard" (2012) e "Frank" (2014), e é assim com este "Quarto".

No filme de 2012 Abrahamson socorre-se do thriller à Hitchcock para nos oferecer um filme de jovens que se vêem presos às suas acções e respectivas consequências na passagem à idade adulta. Estranhamente o filme faz lembrar a tragédia que ocorreu no Meco em 2013. Já no filme de 2014, o realizador pega em Monty Python e tempera uma comédia tresloucada, enclausurando um brilhante Michael Fassbender num cabeçudo Frank. Foi aliás uma das melhores comédias desse ano.

Em "Quarto", baseado no livro homónimo de Emma Donoghue, que também assina o argumento, Abrahamson não só enclausura os dois protagonistas como não tem descaramento nenhum em encerrar os espectadores numa teia de emoções. O filme está cheio de maneirismos e clichés, não sendo forçosamente maus. Mas é certo e sabido que 80% das pessoas que virem o filme vão chorar. Não condeno as películas que recorram a clichés para contarem a história, contudo, há que saber usá-los. Por entre as nossas lágrimas, baba e ranho, é com essa sensação que se fica: um ligeiro amargo de boca por faltar garra ao filme e à sua realização. É daquele tipo de filmes que não tem problema algum em prender o espectador num emaranhado de chorrilhos e maneirismos de puxar à lágrima de forma fácil e descarada. E isso às vezes é irritante. Mesmo sendo um filme extremamente belo e poético.

Nomeado para 4 Óscares da Academia, Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Actriz e Melhor Argumento Adaptado. Ficou a faltar a nomeação ao jovem actor Jacob Tremblay, que algumas vezes está melhor que Brie Larson, sobretudo na segunda metade do filme. Curiosamente, Larson é a favorita a ganhar o Óscar para Melhor Actriz, o que provavelmente irá acontecer.

De salientar ainda que parte da história deste filme e do livro, que foi lançado em 2010, faz lembrar a história de Natascha Kampusch, que fugiu do seu cativeiro em 2006 após oito anos privada de liberdade.

3 estrelas em 5

 Filme visionado a convite da NOS Audiovisuais.

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