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desde 1979

Um blog pessoal sobre várias visões: comida, cinema, música, alguma cultura, política e o dia-a-dia.

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5 coisas que eu não comia em miúdo

por Luís Veríssimo, em 02.06.16

Em criança era um castigo para comer. Não gostava de nada, não comia nada. Gostar até gostava, mas havia coisas que não suportava (algumas delas ainda hoje não como), ou porque não me sabiam bem ou porque não eram confeccionadas da melhor forma. Como em criança costumava estar muitas vezes doente o meu gosto também se ressentia e nada comia por simples falta de vontade ou apetite. Ainda hoje em dia quando me falta o apetite é sinal de que algo não está bem. Com o tempo o meu paladar melhorou e o meu gosto pela comida também. Hoje em dia, por defeito profissional, agora que me dedico mais à cozinha, como de tudo (pelo menos tento). E ontem como foi o Dia Mundial da Criança deixo aqui um especial sobre as 5 coisas que eu não comia em miúdo:

 

couve de bruxelas Cropped.jpg

Couve-de-bruxelas. Se havia coisa que eu detestava eram couves-de-bruxelas. A minha mãe bem que insistia para que nós as comêssemos. Mas, nem eu, nem o meu irmão éramos adeptos desta pequena couve. Fazia-as de todas as maneiras: cozidas, estufadas, em molho de manteiga, assadas, eu sei lá. E nós nada. Perdeu a batalha e resignou-se.Apesar de fazerem realmente muito bem, tendo vários benefícios para a saúde, ainda hoje em dia me custa comê-las. É raro, mesmo muito raro, comprá-las. Acho que só as comprei uma vez, só para tirar as teimas, e não me vomitei por pouco. Em restaurantes também as tento evitar. Só se não houver alternativa nenhuma. Detesto aquele sabor acre entre o adocicado e o acre. Prefiro outras couves.

 

pêssegos Cropped.jpgPêssegos. Há por aí a teoria de que habitualmente quando não gostamos de comer algo é porque alguém da nossa família próxima, com quem nos damos menos bem, adora essa coisa. Acho que é este o caso. Eu e o meu irmão andávamos sempre a garrear e nem sempre nos dávamos bem. Púnhamos a nossa mãe de cabelos em pé. O que é certo é que o meu irmão adorava e ainda hoje adora pêssegos. E eu não podia, nem posso, com aquele sabor e com aquela textura esponjosa. Fazem-me alergia, começo a ficar com os lábios irritados, ligeiramente avermelhados e inchados. Já experimentei comê-los com e sem casca, carecas, em saladas de fruta, em sumo, etc. É incrível, mas consigo identificar o seu sabor onde quer que estejam e já me tentaram enganar várias vezes.

 

hortelã Cropped.jpg

Hortelã. Não gostar de hortelã era mesmo uma mania, uma tontice. Hoje em dia é das ervas aromáticas que mais gosto. Acho que não gostava porque a comia muitas vezes na canja, que a minha mãe fazia à moda antiga e colocava a hortelã na cozedura do frango ou da galinha. Aprendi a gostar de hortelã só há coisa de 8 ou 9 anos. Insisti e ainda bem. Hoje, a par dos coentros e da salsa, a hortelã é muito utilizada na minha cozinha. Seja fresca ou seca, seja para molhos ou em infusões lá está ela a dar o ar da sua graça. A sua frescura preenchem qualquer prato ou sobremesa. Mas, tem que ser usada com alguma cautela, pois o seu sabor dominante pode anular outros sabores igualmente importantes na harmonia do prato. Em contraponto é óptima para anular ou adicionar sabor a coisas que não têm gracinha nenhuma.

 

peixe-cozido-com-legume Cropped.jpg

Peixe cozido. Reza a lenda, deveria eu ter uns 8 anos, que um belo dia ao almoço não me apeteceu comer o peixe cozido que tinha no prato e que a minha mãe não me deixou sair da mesa sem o comer. Não o comi. Não se deu por vencida, deu-mo a comer ao jantar. Frio. Não o comi na mesma. Mas se há coisa mais desenxabida na cozinha é o peixe cozido. Nenhuma criança gosta. E é fácil perceber porquê. Porque, na generalidade, não é bem feito. Muita gente não sabe confeccionar peixe, sobretudo porque é cozido durante muito tempo. O peixe é daquelas coisas que têm que ser tratadas com delicadeza e como tal também tem que ser confeccionado de forma delicada. Ou seja, deverá ser cozinhado por pouco tempo. Claro, que tudo depende do peixe.

 

Iscas com elas Cropped.jpg

Iscas com elas. Iscas são tiras finas de fígado de vitela e elas são as batatas cozidas. Habitualmente passadas a frigideira a que se junta de seguida a marinada e a cebolada. Não podia com o cheiro do fígado, nem cru, nem depois de cozinhado. O meu pai adorava e acho que ainda adora este prato tipicamente português. Fazia-o como petisco e fazia-o como ninguém. De cada vez que o fazia ficava um cheiro na cozinha que eu não suportava e que me causava náuseas. Mesmo já em adulto fico agoniado com o cheiro das iscas. Este cheiro, para mim, só tem comparação com a moleja que a minha avó fazia, uma sopa feita a partir do fígado e do sangue do porco após a matança. A casa ficava infestada. Figadeira é coisa de que não gosto. Só o de galinha e é na canja...

 

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